segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Roy Spencer # 5

Alguns minutos depois de chegar a casa, Roy escuta o telefone tocar. Atende após alguns segundos, e escuta a voz de uma mulher no outro lado da linha.
- Olá Roy, sou eu, Meredith.
- Olá Meredith... está tudo bem? – pergunta Roy, algo surpreso.
- Sim, está tudo bem. Tenho tentado telefonar-te a tarde inteira.
- Estava na casa de Dora. Costumo lá jantar nas quartas-feiras. Precisas de alguma coisa? Está tudo bem com o Henry e com a Sam?
- Sim, eles estão bem. Mas eu gostaria de falar contigo.
- Okay, claro. Se quiseres podemos nos encontrar amanhã e conversar.
- Na verdade, se não for um incômodo, eu preferiria falar contigo hoje.
- Hum...é urgente?
-Não exatamente. Mas eu gostaria de falar contigo em pessoa, e preferiria que fosse hoje.
- Okay, eu vou apanhar um taxi agora. – disse Roy após alguns instantes de hesitação.
- Não te preocupes. Eu posso encontar-te na tua casa. Estarei aí em menos de uma hora.
- Tens a certeza? – pergunta Roy.
- Sim, não há problema. Até logo. – diz a viúva antes de desligar.
Cerca de meia-hora depois, Meredith chega à casa de Roy. Após ouvir a campainha tocar, Roy abre a porta à viúva. Entretanto, tinha começado a chover.
Roy convida Meredith a entrar, e ela aceita o convite.
- Está chovendo torrencialmente. Este tempo é horrível. – Queixa-se a viúva, enquanto fecha o guarda-chuva.
- Obrigado – diz Meredith enquanto entrega a Roy o casaco e o guarda chuva molhados. Roy pendura o casaco num cabide na parede do hall de entrada e coloca o guarda chuva num pequeno balde juntamente com outros três guarda-chuvas lá guardados. – Não faz mal Roy, para falar a verdade eu precisava sair de casa, mudar de ambiente, mesmo que seja por pouco tempo.
- Entendo.- diz Roy – Gostarias de beber uma chávena de chá?
- Sim, obrigado.
Roy prepara duas chávenas de chá, e oferece também biscoitos a Meredith, enquanto os dois se instalam na cozinha, onde Roy costma tomar as suas refeições. Há meses que a mesa na sala de jantar não é utilizada.
- Pelo telefone não chegaste a dizer-me sobre o quê querias conversar Meredith. Suponho que se trate de Edward.
- Sim... não queria conversar pelo telefone. É um assunto delicado, e de qualquer forma acho que é melhor conversar em pessoa. Roy, preciso pedir-te um favor.- diz a viúva, com uma expressão de grande seriedade.
- Claro, claro Meredith. O que precisares. De que se trata? – disse Roy, algo preocupado.
- Eu gostaria que investigasses a morte do Edward.
- O que é que queres dizer?
- Eu não acredito que ele tenha se suicidado, é isso que querodizer.
As palavras da viúva penetram o peito de Roy como uma faca.
- O que te leva a dizer isso?
- Porque não faz sentido. Não digo que seja completamente impossível, mas eu tenho as minha dúvidas. E por isso preciso que me ajudes a descubrir se ele realmente se suicidou, ou se alguém quis que parecesse que foi isso que aconteceu.
- Meredith, não me parece que Edward tenha muitos inimigos. Isso que sugeres, é bastante improvável. Quem poderia ter sido o responsável? Quem poderia ter um motivo forte o suficiente?
- Eu suspeito que tenha sido alguém que ele conhecia. Alguém do seu passado como agente da polícia.
- Alguém que ele prendeu, ou ajudou a prender?
- Talvez... ou talvez algum dos seus ex-colegas.
- O que é que queres dizer? – perguntou Roy, chocado.
- Nos últimos meses, Edward tinha começado a comportar-se de forma estranha. Talvez tenhas notado...
- É verdade que, de certa forma, parecia que me estava a evitar.
- Isso é porque estava. Algumas semanas antes de morrer confessou-me uma coisa que não teve coragem de dizer-te nunca. Durante muitos anos, ele tinha aceite um envelope todos os meses, tal como muitos dos seus colegas. O envelope era para se manter calado, em relação a certas questões... guardar alguns segredos, encobrir alguns criminosos e até certos membros corruptos da polícia. Dias antes de morrer ele disse-me que ia denunciar as pessoas que ele sabia estar envolvidas, mesmo que isso significasse ser preso. Ele disse que isso era a coisa certa a fazer. – Meredith parou por alguns instantes, não conseguindo conter algumas lágrimas. Roy entretanto não conseguia proferir sequer uma palavra, chocado como estava. Depois prosseguiu – Por isso, como vês Roy, eu tenho boas razões para duvidar da versão oficial dos acontecimentos. Sei que estás decepcionado, mas acredito que farás a coisa certa e honrarás a memória de Edward. Ele amava-te como um irmão. Investigarás este último caso Roy Spencer? Aceites o meu pedido?
-Sim. – responde Roy, após alguns instantes de hesitação.

Sem comentários:

Enviar um comentário